
INTRODUÇÃO
O objetivo deste artigo é apresentar os principais modelos de saúde-doença, as necessidades de saúde e abordar os diferentes determinantes sociais de uma determinada população.
Efetuarei uma síntese histórico-evolutiva que contempla a apresentação das ideias, conceitos e personagens chave que caracterizariam os quatro modelos que escolhi e que ao longo do tempo foram evoluindo o conceito de saúde/doença.
1º. MODELO BIOMÉDICO
O modelo biomédico, também denominado “Medicina Científica” ou simplesmente “Medicina Biomédica Ocidental”, hoje predominante, tem as suas raízes ligadas ao contexto do Renascimento e de toda a Revolução Artístico-Cultural, ocorrida a partir do século XVI.
Historicamente a percepção do homem como máquina remonta à chegada do capitalismo, foi também no Renascimento quando a explicação das doenças passou a ser relacionada às situações ambientais, a causa das doenças passou a ser buscada em um fator externo ao organismo, e o homem era o receptáculo da doença.
Este modelo tem a visão de que o corpo humano é uma máquina complexa e define doença como um desequilíbrio ou falha nos mecanismos de adaptação do organismo ou a falta de reação aos estímulos aos quais está exposto, esse processo leva a uma alteração na estrutura ou função de um órgão, sistema ou todo o organismo ou suas funções vitais,
O modelo biomédico concentrou-se cada vez mais na explicação das doenças e começou a tratar o corpo em partes cada vez menores, reduzindo a saúde ao funcionamento simplesmente mecânico.
Numa perspectiva crítica, destaca-se a concepção fragmentária do modelo biomédico ao sustentar que este consiste numa espécie de modelo teórico mecanicista, por exemplo como se fosse um carro, em que o homem é visto como corpo-máquina; o médico, como mecânico; e a doença, defeito da máquina, explica a doença como produto de um agente externo (químico, físico e biológico) sem considerar o contexto psicossocial.
A intervenção em saúde baseia-se numa visão reducionista e mecanicista, em que o médico especialista é o mecânico que tratará a parte defeituosa do corpo-máquina ou do ambiente para controlar as possíveis causas das epidemias.
Este modelo classifica as doenças com base em dois aspectos:
- Aspecto patológico: por sua fisiopatologia divide a doença em infecciosa e não infecciosa.
- Aspecto clínico: pelo tempo percorrido classifica as doenças em aguda e crônica.
2º. MODELO DE “HISTÓRIA NATURAL DA DOENÇA” DE LEAVELL E CLARK
A busca por explicações causais do processo saúde-doença resultou no conceito de “História Natural da Doença”, conhecida como modelo procedimental dos fenômenos patológicos.
Os principais sistematizadores deste modelo foram Leavell e Clark, em 1976, quando definiram a história natural da doença como a sua evolução, sem intervenção médica, desde antes do seu início (interação entre o indivíduo e o seu ambiente biopsicossocial), até à sua resolução que pode ser recuperação, cronicidade ou morte
O modelo visa monitorar o processo saúde-doença em sua evolução, compreendendo as inter-relações do agente causador da doença, do hospedeiro da doença e do ambiente e do processo de desenvolvimento de uma doença, é introduzido o termo “Tríade Ecológica” onde interatua o hospedeiro, o agente e o ambiente.
O sistema de história natural das doenças apresenta uma dimensão basicamente qualitativa de todo o ciclo, dividindo o desenvolvimento do processo saúde-doença em dois momentos sequenciais:
- O período pré-patogênico, também considerado período epidemiológico, refere-se à interação entre o agente, o hospedeiro e os fatores ambientais.
- O período patogênico corresponde ao momento em que o homem interage com um estímulo externo, apresenta sinais e sintomas e realiza tratamento, este subdivide-se em:
- Período patogênico abaixo do horizonte clínico
- Período patogênico acima do horizonte clínico
- Período de doença avançada
Esta forma de sistematização ajuda a compreender os diferentes métodos de prevenção e controle de doenças, no período pré-patogênico permite a prevenção primária, enquanto o período patogênico envolve a prevenção secundária e a prevenção terciária.
3º MODELO DE DETERMINANTES SOCIAIS DA SAÚDE DE DAHLGREN E WHITEHEAD
Durante esta década, popularizou-se o Modelo dos determinantes sociais da saúde, também conhecido como Modelo Arco-Íris, que afirma que as principais influências na saúde estão dispostas em camadas, umas sobre as outras.
São condições socioeconômicas, culturais e ambientais de uma sociedade que estão relacionadas às condições de vida e de trabalho de seus membros, lidando com a influência das camadas:
1. No centro estão as pessoas com as suas características de idade, sexo e fatores hereditários, que influenciam a sua saúde e que são em grande parte fatores fixos.
2. Acima está o comportamento e estilo de vida das pessoas: tabagismo, alimentação, consumo de álcool ou atividade física.
3. Após esta influência da sociedade e da comunidade, como os indivíduos interagem com as suas redes sociais e comunitárias e são influenciados por elas, sua família, amigos e vizinhos.
4. Em seguida esta os fatores relacionados com as condições de vida e de trabalho, tanto materiais como sociais: habitação, educação, sistema de saúde, agricultura, etc.
5. Envolvendo tudo está o principal ambiente estrutural, ou seja, as condições socioeconómicas, culturais e ambientais, o padrão de vida alcançado por uma sociedade influencia claramente as demais camadas, da mesma forma, as crenças culturais sobre a posição das pessoas de uma sociedade afetam suas vidas e saúde.
Este modelo deve ser visto como um sistema interdependente, as estratégias de saúde que apenas têm em conta um dos níveis são menos eficazes do que aquelas que concentram os seus esforços em vários, de facto, a sinergia nos esforços é fundamental para melhorar o impacto das políticas destinadas a saúde e equidade.
4º MODELO BIOPSICOSSOCIAL
O modelo biopsicossocial é um modelo ou abordagem participativa da saúde e da doença que postula que o fator biológico, o fator psicológico, os comportamentos, os fatores sociais e culturais, desempenham um papel significativo na atividade humana no contexto de uma doença ou deficiência.
O ser humano é um ser determinado por fatores biológicos, que são determinados como (bio); com a influência do psicológico, que é o (psico); que está relacionado ao ambiente em que as pessoas interagem (social); é daí que vem o conjunto de três palavras e foi criado o biopsicossocial.
É importante mencionar que as três palavras deste modelo não funcionam separadamente, mas são o complemento uma da outra, isso está relacionado à saúde das pessoas, vale ressaltar que os três aspectos do modelo são necessários para que uma pessoa seja considerada saudável.
CONCLUSÃO
O conhecimento dos conceitos dos modelos de saúde/doença nos permitem realizar a prática de saúde preventiva e conseguir um atendimento assistencial de qualidade baseia-se na compreensão das características e necessidades da população atendida.
Para entender uma doença é preciso conhecer a história social da localidade, a cultura, os hábitos, as crenças e os marcadores de condição de vida, pois tal conhecimento permite uma atuação direcionada e integrada.
Com apoio de este artigo você adquirirá uma visão mais ampla do paciente melhorando a qualidade de vida de ele e a saúde da comunidade em geral.
BIBLIOGRAFIA
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- Albanita Gomes da Costa de Ceballos MODELOS CONCEITUAIS DE SAÚDE, DETERMINAÇÃO SOCIAL DO PROCESSO SAÚDE E DOENÇA, PROMOÇÃO DA SAÚDE, https://ares.unasus.gov.br/acervo/html/ARES/3332/1/2mod_conc_saude_2016.pdf
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